sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Branding x Marketing

De uma forma geral, pouquíssimas são as empresas que têm noção da importância da gestão de marca para seus negócios ou mesmo que saibam do que se trata ou da amplitude do conceito de branding.

Como consequência, o Branding passa a ser um dos assuntos tratados nos departamentos de marketing de algumas empresas ou ao cargo do departamento de comunicação em outras. Isso, evidentemente, na melhor das hipóteses. Na pior delas, o Branding passa a ser apenas uma palavra “cool” estressada por publicitários para encher de importância seus planejamentos de campanha. E todos nós sabemos o quanto publicitários (como eu, aliás) adoram palavras e expressões legais (mas essa já é outra conversa).

Então, vamos logo ao que interessa:

Por que Branding não é Marketing e vice versa?

Conversando com especialistas do meio, Rita Marçal, especialista portuguesa em Branding, com pesquisas voltadas para o mercado estético e para a terceira idade, define a diferença entre Marketing e Branding de uma forma bastante interessante.

Para ela, o Marketing observa pessoas enquanto mercado e articula a marca através de processos administrativos para atingir suas metas estratégicas de convencimento e diferenciação no sentido de atingir esse público da melhor forma. Isso significa ter o produto adequado às necessidades latentes, sempre ao alcance do seu target, a um preço adequado ao seu poder de compra e à expectativa relacionada ao produto e promovidos da forma mais adequada.

Marketing em si é o departamento e conjunto de atribuições que  cuidam das relações de uma empresa com o mercado. Por mercado entende-se: target, segmentos, concorrência e demais processos administrativos como distribiução, logística e finanças por exemplo. Seu viés de pensamento é, portanto, mercadológico e administrativo.

Já o Branding trata da marca e da relação com o público sobre o viés humano, tendo processos perceptivos e cognitivos como foco. Mais do que uma simples promoção de produto, cabe ao Branding trabalhar no sentido da criação de uma filosofia e um conceito, traduzindo-os em tudo o que for referente à empresa. Através de processos cognitivos diversos, o Branding busca o estabelecimento de uma conexão com o público que seja muito mais intensa e marcante do que uma simples necessidade, mas baseada em processos emocionais que geram a identificação entre valores pessoais e corporativos e também na projeção de uma auto-imagem baseada na mútua troca entre idnivíduo e marca. Seu foco, porém, são dois outros P não incluídos na definição original do conceito de mix de marketing: a relação da marca com as PESSOAS, tendo a PERCEPÇÃO como elemento chave.


***

Marketing e Branding usam mutuamente  suas competências e atribuições de forma a construir uma marca consistente e bem sucedida.

Ter o Branding como um departamento subordinado ao Marketing é reduzir sua importância e limitar o potencial de construção e desenvolvimento de uma marca às diretrizes de uma área com um mindset diferente e específico.

Imaginar, como muito se fala no meio, que o Marketing deve ser subordinado ao Branding, porque ele deve atuar conforme uma filosofia e um conceito estabelecido e que é anterior às suas competências é subvalorizar suas competências administrativas e estratégicas essenciais ao sucesso de uma marca.
Branding e Marketing cuidam de coisas diferentes, com um objetivo comum. Competências distintas, que devem ser independentes e atuar de forma paralela e complementar.

A César o que é de César.

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